Não é giro quando temos um ataque de ansiedade quando estamos a conduzir? Normalmente tinha-os a meio do sono, agora dá-me destas coisas no metropolitano - porque sou meio claustrofóbica - ou em cima de pontes - porque... não sei porquê sinceramente, nunca tive medo de alturas na vida e continuo a não ter. Mas dá-me, como se o metro e uma ponte fosse uma espécie de trigger mechanism. Mas o último, só para variar, deu-me mesmo parada nuns sinais relativamente perto da minha casa: comecei a levar com o sol de chapa na cara, os meus olhos revoltaram-se contra toda aquela luz, o meu corpo contra o calor, e truca: toma lá um ataque de ansiedade para te animar o dia. O meu primeiro instinto foi obviamente sair a fugir do carro, correr na realidade para um carro da polícia que estava parado nos mesmos sinais, mas no sentido contrário. E depois ri-me e achei ridículo, porque provavelmente os senhores polícias só me levariam mesmo presa. E depois o sinal passou a verde e continuei a conduzir, e a dizer bem alto aquilo que um dos meus irmãos me ensinou, "Não vou morrer, não vou morrer, não vou morrer!" O problema é que isto nunca resulta porque nunca penso que vou morrer para começar. Então fui guiando até ao meu destino, cara, pés e mãos dormentes, a cantar, a tentar enganar o meu cérebro para que ele pensasse que eu estava feliz. Mas o filho da mãe estava mais inteligente do que é normal, e só me largou mesmo quando estacionei o carro e saí cá para fora para apanhar ar. Olhei em volta, vi uma decrépita estação dos bombeiros que parecia ter saído de uma das minhas histórias manhosas policiais, e sorri. Esmaguei a ansiedade, e voltei a sentir novamente. E agora preparo-me mentalmente para a próxima vez que me der um ataque destes, porque é certo e sabido que não deixarei de conduzir, passar pontes ou andar de metro por causa disto. É que não faltava mais nada.
terça-feira, 30 de outubro de 2012
quinta-feira, 25 de outubro de 2012
Passado, Presente, Futuro
Imagino o Passado a preto-e-branco ou em cores pastel - sou pura e simplesmente incapaz de o imaginar em Full HD ou com as cores normais de quem anda na rua e vê, e sente, e passa pelas coisas. Culpo as malfadadas fotografias antigas que tenho em casa, os filmes clássicos que vi quando era míuda, e mais especialmente as sessões de Twilight Zone que me prendiam durante horas à televisão quando já tinha saído há muito da adolescência. Na infância eram os desenhos animados: todos o meus pensamentos eram na forma animada, tinham a cara dos imensos bonecos que via ao fim-de-semana logo pela manhã. A minha família queixava-se que eu não tinha problema nenhum em levantar-me para ver bonecada, mas quando era para ir para a escola era um castigo: e eu sempre achei que estavam a confundir-me com outra pessoa, porque levantar-me de manhã nunca me causou problema nenhum. Suponho que fossem aquelas coisas que todos dizem só porque não têm nada para dizer, e nada mais. Mas sou incapaz de ver o Passado a cores: na minha cabeça, todo ele é velho, cheira a mofo, e provavelemente, isso nunca irá mudar. Fico então à espera do dia em que começarei a ver o Futuro em 3D, já que o Presente é suficientemente colorido. Fico à espera senhores, aqui esperarei.
quarta-feira, 24 de outubro de 2012
Diospiro
A primeira vez na vida que como um diospiro maduro (costumo comer dos pequenitos e ainda rigitos) e quase que vou ao gregório: literalmente. Que coisa mais enjoativa, senhores. Posso dizer certamente, que não volto a comer.
domingo, 21 de outubro de 2012
Lord Nelson
“Well, it ripped through my shoulder, passed through my chest and then lodged itself somewhere in my spine. If you ask me, the whole thing’s a darn inconvenience.”
~ Lord Nelson
sexta-feira, 19 de outubro de 2012
K.O.
Sabem aquelas cenas nos filmes em que há alguém a ser operado e há uma data de gente à espera numa sala de hospital a pensar se vai morrer, se não vai morrer, que não podem ir à casa de banho porque o senhor doutor pode aparecer nesse preciso momento? Essa é a sensação que eu tenho cada vez que aparecem mensagens no meu computador a dizer, "Isto pode demorar vários minutos".
quarta-feira, 17 de outubro de 2012
Desabafo
Estava no outro dia a ver uma série de televisão onde dois polícias eram obrigados a comparecer a sessões de terapia: um deles queixava-se que o outro passava a vida a perder agrafadores que pedia emprestados, e ainda foi, obviamente, acusado de ser mesquinho pelas outras pessoas do grupo. Tive pena do rapaz... Vocês fazem ideia do que é viver com pessoas que passam a vida a perder coisas? Porque eu sei, porque lido com situações destas, duas, senão três vezes por semana. Porque feitas as contas já devo ter desperdiçado um bom quarto de vida à procura de coisas que não me pertencem. Porque podem acreditar que as que me pertencem e empresto, são perdidas fora de casa, e nunca mais as vejo. E depois não há consciência que me valha, porque quem perde não quer saber, e se quiser ter as coisas de volta ainda tenho que ir comprar igual. E depois se reclamo que me perderam as coisas, ainda ficam zangados comigo, porque aparentemente ainda sou má por querer tê-las de volta. E basicamente, toda esta cena desta série de televisão me deu vontade de mandar algumas pessoas que conheço à merda. E, provavelmente, é por isso que não vejo muita televisão.
domingo, 14 de outubro de 2012
Lava
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